Ativismo Religioso - Fuja Disso!!

Querido Leitor, estou de volta!! Sei que já faz algum tempo que não escrevo nada por aqui, se não me engano, mais de um mês. Foi pura falta de tempo. Mas estou de volta. E dessa vez para abordar um tema importante e controverso, O Ativismo Religioso.

Como bem escreveu a Pra. Iara Diniz, "o ativismo religioso é um inimigo voraz e implacável que tem atacado a Igreja. Voraz, implacável, asqueroso, mas também sutil e dissimulado".

O Ativismo é um inimigo sutil e dissimulado porque ele é gerado, nutrido e fortalecido dentro da própria Igreja, porém de uma forma bem aceita e justificada, com os rótulos de "ministério" ou "Obra de Deus" ou "Chamado".

Eu já escrevi aqui há alguns meses atrás à respeito da falta de tempo, da sindrome da pressa, do excesso de atividades que todos nós temos diariamente devido ao rítimo frenético da "vida moderna", e de como tudo isso tem afetado a espiritualidade do homem e sua relação com Deus e com a Igreja. (Veja o post: Falta de tempo - Loucura do fim dos tempos).

Nos dias de hoje, muitas pessoas, que são sim servos de Deus, apaixonados pela Obra e conscientes da Grande Comissão, têm sido afetadas pelo ativismo religioso, pela ânsia de resultados evangelísticos e pelo "crescimento" da Igreja.

A questão é que essas pessoas se preocupam demais em "fazer a obra do Senhor" e se esquecem de que Ele é o Senhor da obra, e de que Ele faz a obra e apenas nos chamou para sermos cooperadores dessa obra.

O que se instalou nas igrejas dos dias de hoje foi uma preocupação exarcebada com a performance e com os resultados. Criou-se também a cultura da pressa e a cultura do "se matar pelo ministério" ou "dar o sangue pela igreja" ou ainda, e mais bonito, "se anular pela obra de Deus".

O que vale hoje para a maioria dos líderes é quantas almas seus liderados alcançaram, quantas pessoas evangelizaram, quantos folhetos distribuiram, de quantas reuniões e eventos participaram e ajudaram a realizar. Não importa muito como anda o convívio familiar, qual o nível de comunhão que esse liderado tem com Deus e com a Palavra, ou o quanto ele se deixou transformar pelo Espírito Santo. Resultados, é só o que importa. Eventos bem feitos, cultos muito bem organizados e abarrotados de gente.
Liderado bom é aquele que participa de toda a programação da igreja local, abrindo mão de tudo. Isso sim é uma "pessoa de fé", um "crente espiritual".

Esses líderes cobram tudo isso de seus liderados e vivem de forma semelhante, ou seja, vivem baseados em resultados e em acumular atividades e responsabilidades em seus ombros, abnegando coisas de suma importância como tempo em família, cuidado com a própria saúde, tempo de oração de qualidade, descanso, férias, lazer, etc.

Coisas essas que a um primeiro olhar, com os óculos da religião, soam como pecado, frescura ou coisas desnecessárias. Alguns dizem: "Enquanto eu cuido da obra de Deus, Ele cuida da minha família"(Eu só não sei em que parte da Biblia isso está escrito!). Outros dizem: "Deus preserva minha saúde", errado! A responsabilidade de cuidar da nossa saúde é nossa, tendo boa alimentação, dormindo adequadamente, descansando um dia da semana, tendo lazer, etc.

Há ainda aqueles que digam: "Férias? Meu descanso é no céu", é, realmente o seu descanso é no céu, o problema é que você pode ir descansar lá mais cedo por causa de um infarto ou derrame.

Eu não quero aqui desestimular o trabalho ministerial na Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou dizer que a Igreja pode se acomodar e não fazer absolutamente nada para alcançar os perdidos. Isso seria loucura, algo totalmente sem nexo e sem base na Palavra.

O meu objetivo é levá-lo(a) caro(a) leitor(a) a uma reflexão sobre o que temos feito como Corpo de Cristo. Quais são as nossas verdadeiras prioridades? Onde estamos errando? Qual é o ponto de equilíbrio nisso tudo?

O trabalho ministerial é tão honroso como qualquer outro, na minha opinião é o mais digno de todos, uma vez que este trabalho é voltado para o serviço dentro da casa do Senhor e para o resgate dos perdidos. É maravilhoso ver homens e mulheres que renunciam a muitas coisas, como por exemplo profissões bem sucedidas, para se dedicar em tempo integral na obra de expansão do Reino.

No entanto, é absurdamente triste constatar o desequilíbrio que há hoje na maioria das igrejas e de seus líderes. É assustador ver famílias cristãs sendo destruídas por conta da inversão de valores e da inversão de prioridades. Maridos que colocam seus ministérios dentro da igreja acima de suas famílias. Mulheres que abdicam do cuidado com o lar, com os filhos e com o marido para se atolarem de atividades ministeriais. Filhos que praticamente moram dentro da igreja e mal convivem com seus pais.

Isso é uma total inversão de prioridades! Deus está acima de tudo, e isto é inquestionável. Porém, depois de amar a Deus com toda a nossa alma e com todo o nosso entendimento, nossa segunda prioridade é a família, e em terceiro lugar vem o trabalho, seja ele ministerial ou não.
E o que vemos hoje? Homens que são excelentes sacerdotes na igreja, mas que negligenciam suas esposas e filhos. Homens que não oram com suas esposas, que não namoram suas esposas.

Esposas que negligenciam seus maridos, deixando de exercer o papel de auxiliadora e companheira, "abandonando" seus lares para passar a maior parte do dia dentro da igreja ou inserida em alguma programação ministerial.

E essa inversão de valores e de prioridades tem ocasionado problemas gravíssimos, tais como adultério, divórcio, filhos rebeldes e envolvidos com drogas, filhos que se desviam dos caminhos do Senhor, desunião familiar, e por aí vai.

Sem contar que o acúmulo de tarefas tem criado líderes e ministros sobrecarregados e doentes. Doentes fisicamente, pois negligenciam necessidades e cuidados básicos com a saúde, e doentes espiritualmente também, uma vez que a qualidade do relacionamento com Deus decaí muito, seja pela falta de tempo para exercer essa comunhão, seja por errôneamente basear esse relacionamento na performance, como se Deus nos hovesse contratado para sermos "funcionários ministeriais".

Não se esqueça, leitor querido, que Deus nos escolheu por amor e o relacionamento que Ele quer conosco é baseado no AMOR! Não se esqueça também de que você não é o salvador do mundo, essa função já tem dono e Ele já exerceu seu papel muito bem.

Os resultados que você alcança ministerialmente não o fazem mais amado ou menos amado, você já é amado incondicionalmente.

Por fim, a mensagem que eu deixo é a seguinte: Trabalhe ministerialmente, invista em prol do Reino, alcance os perdidos, exerça misericórdia, resumindo seja um cristão saudável, mas em nome de Jesus tenha equilíbrio! Dê prioridade para a sua família, delegue funções para outras pessoas (não seja centralizador), tenha no MÍNIMO um dia por semana de folga e lazer com a sua família, pratique exercícios, cultive amizades, viaje, leia, estude, viva!

Lembre-se, dentro da Igreja, ministerialmente falando, você não é insubstituível. Se você morresse hoje, dentro de alguns dias alguém já estaria exercendo a sua função. Porém, para a sua família você é INSUBSTITUÍVEL. Pense nisso!

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Cristão Protestante Reformado, membro da 1.ª IPI - Limeira-SP. Graduado em Tecnologia em Processamento de Dados pela FATEC (Unesp). Hoje trabalho como consultor em negócios imobiliários. Pós-graduado em Especialização em Estudos Teológicos, pela Mackenzie (CPAJ). Falo Inglês muito bem e espanhol porcamente. Sou muito bem casado e tenho dois filhos maravilhosos.

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