Ascetismo Não Bíblico


Por Paulo Dib


Caros leitores, eu sei que já são 5 meses sem escrever. Eu garanto que não me esqueci deste Blog, de maneira nenhuma! Tenho um especial carinho por ele.

Também não foi por falta de assunto, visto que temas para filosofar não faltam.

Uma série de fatores que me fizeram o tempo escasso, o maior culpado, sem dúvidas foi o meu trabalho, mas graças a Deus, agora consegui respirar e voltar a escrever.

Sem mais delongas, vamos ao que interessa, vamos ao nosso tema: Ascetismo não bíblico!

Já abordei superficialmente esse assunto em postagem anterior. Agora gostaria de aprofundar um pouco mais nesta questão. Tanto por ser um assunto que volta e meia me incomoda, como por frequentemente me deparar com o dito cujo ascetismo não bíblico em cristãos sinceros, mas às voltas com essa prática.

O ascetismo não bíblico tem a sua origem no pietismo alemão que trouxe fortes influências à igreja brasileira. Pietismo em seu conceito original significa abster-se do mundo buscando santificação e temor. A origem da palavra é latina, “pius” = “aquele que cumpre seus deveres”, mas é usada para se referir a uma “reverência especial a Deus”, sinônimo de “devoção”.

Logicamente, temor, devoção e santificação são coisas boas na vida cristã, eu não seria louco de discordar disso. O problema reside quando esse pietismo, ou essa devoção partem de algum tipo de fanatismo, daí gera-se o pietismo exagerado. E como eu já disse por aqui, pietismo desmedido é irmão do legalismo e do ascetismo não bíblico.

Definindo ascetismo não bíblico temos o ato ou ensino que faz com que os cristãos se abstenham de coisas que a Bíblia não diz nada a respeito. São as famosas “santarrisses”, onde tudo é impuro, todo e qualquer prazer é mal visto, até mesmo os prazeres bíblicos.

São uma série de regras sem base bíblica alguma. São baseadas em “achismos”, em interpretações errôneas de textos bíblicos, em líderes farisaicos que exigem de seus liderados “um padrão de santidade” que nem eles mesmos vivem, e por aí vai...

Alguns criam verdadeiras neuras ascéticas, o que eu chamo de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) Gospel. Pensam que, por exemplo, ao ouvirem uma música “do mundo” (entenda-se música não sacra) estão terrivelmente contaminados. Se esse “pecado” se repetir então, estão “desviados” ou “perdidos”, como se a salvação do homem dependesse do tipo de música que ouvimos ou de qualquer outra obra humana.

E, infelizmente, o TOC Gospel é mais comum do que se imagina!

Tirar um dia de lazer com a Família? A resposta seria: “Pra quê? Nosso descanso é no céu, vamos nos enfiar em todas as programações possíveis dentro da igreja”.
Assistir Filmes? “Não pode, principalmente se for da Disney. Só pode se for Filme Gospel”
Assistir TV? “Só se for a 'programas crentes', e olhe lá!”
Ouvir música? “Só se for música gospel, aliás tenho aqui o último lançamento do cantor fulano de tal...”

Eu sempre me pergunto qual seria a definição correta de música do mundo?
Acho engraçado que geralmente quem julga as tais “músicas do mundo” e só ouve os últimos sucessos gospel, também assiste novelas da Globo e outros “ótimos” programas do gênero.

Pergunto eu, qual a diferença? O que faz de uma manifestação artística “aceitável” e outra não? (Sem esquecer que novelas possuem ensinamentos “excelentes” para a vida cristã, não é mesmo?)

A resposta mais provável deve ser uma série de regras que não passam de fanatismo e religiosidade farisaica. Não há embasamento bíblico para tais regras, ou então pega-se textos fora de contexto para tentar dar respaldo a esses ensinos.

Foi Deus que concedeu ao homem o poder criativo, os dons artísticos e a inclinação à apreciação das artes! Não podemos taxar de ruim e pecaminoso tudo aquilo que não é sacro!

Existem músicas e outras expressões artísticas que não são convenientes a cristãos? Com certeza sim, no entanto, não podemos colocar tudo dentro do mesmo “saco”.

A questão aqui levantada é que os Ascetas Pietistas utilizam-se de textos que foram dirigidos EXCLUSIVAMENTE a Israel ou ainda textos que fazem parte das chamadas LEIS CERIMONIAIS dadas ao povo judeu e que não se aplicam à Igreja, para tentar alicerçar seus conceitos.

Um exemplo disso é a famosa controvérsia sobre tatuagens. Um cristão pode ou não tatuar o seu corpo?

O texto preferido dos ascetas veementemente contrários é Levítico 19.28.

Pois bem, em primeiro lugar esse texto faz parte da Lei Cerimonial Judaica (que não cabe à Igreja). Em segundo lugar uma breve análise sobre o versículo nos mostra que a proibição era em fazer marcas por causa dos mortos. No texto original em hebraico encontramos:

não façam (nathan) sareteth, incisão, corte, talho, na vossa carne pelos mortos, nem fareis (nathan) qa’aqa kethobeth, incisão, corte, marca feita a ferro em brasa sobre vós". O texto aqui se refere claramente à escarnificação, ou seja, rasgar ou lacerar a carne, com o intuito de agradar aos mortos ou aos deuses, ritual feito por inúmeras religiões pagãs, à semelhança dos profetas de Baal (1 Reis, 18:28)

A tradução da NVI como tatuagem não é, nem de longe, a melhor (Diga-se de passagem, não gosto muito da NVI justamente por essas falhas de tradução! Prefiro a velha e confiável ALMEIDA, que é uma versão muito mais literal)

Por último, a boa e velha hermenêutica nos orienta a sempre ler o texto dentro de seu contexto, i.e., devemos analisar, no mínimo, todo o capítulo em que se encontra o versículo em questão, a quem aquelas palavras foram dirigidas, por qual razão, e dentro de qual contexto histórico.

Se seguirmos a lógica de raciocínio do ascetismo não bíblico, só pelo capítulo 19 de Levítico, nós deveríamos também guardar o sábado, açoitar até a morte os adúlteros, não fazer cultivo de sementes de diferentes espécies no mesmo campo, não poderíamos aparar a barba, cortar o cabelo com formato arredondado...

Usar apenas um versículo para impor uma regra e ignorar os demais versículos e regras é hipocrisia! Qual é o critério para se escolher quais valem e quais não valem?

Aliás, por falar em marcas no corpo, o que dizer das incontáveis mulheres cristãs que fizeram ou sonham em fazer cirurgia plástica, implante de silicone ou lipoaspiração? Isso não são marcas no corpo? Não causam modificações? Pois então, qual a diferença?

Antes que alguém saia me taxando de liberal ou defensor das tatuagens, explicito que não tenho tatuagens, aliás, nunca gostei de tatuagens, mesmo quando eu não era cristão. Também não saio por aí incentivando pessoas a se tatuarem.

A questão aqui é algumas pessoas que possuem um sentimento de “Superioridade Espiritual” (típico do pietista) julgarem outras com base em uma regra sem respaldo bíblico. Ou pior ainda, julgar a espiritualidade e condicionar a salvação de alguém por causa disso.

Eu particularmente não faço tatuagens por não gostar, e também por uma questão de testemunho pessoal dentro de nossa sociedade, que além de conservadora, por causa do pietismo inserido na igreja brasileira, rotulou os “crentes” como pessoas que não possuem tatuagens. E longe de mim ser pedra de tropeço na vida de quem quer que seja! (Repito é uma posição pessoal minha)

O cristão deve levar em consideração sempre a motivação de cada atitude sua.

Paulo você está dizendo então que podemos fazer de tudo? Que agora estamos na “graça” e tudo pode?

Definitivamente NÃO! Liberdade e libertinagem são coisas diametralmente distintas. Eu estou dizendo que todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém (1Co 6.12).

Há sim músicas, filmes, filosofias e práticas que, como cristão, não me cabem, não são convenientes e não devem fazer parte da minha vida. No entanto, não são uma série de regras religiosas baseadas em sabe-se lá o que, que irão me dizer o que fazer ou não!

Neste ponto ninguém melhor do que o Espírito Santo para convencer meu coração e me conduzir em toda a verdade! Ninguém melhor do que Ele para me fazer discernir o que é bom para mim ou não, o que me faz pecar ou não!

Esse discernimento, reitero, vem pelo Espírito Santo. Vem da comunhão com Ele, do estudo da Palavra e não de uma série de regras inventadas pelo homem, onde na maioria das vezes essas regras são baseadas em contextos culturais.

É claro que a Bíblia possui nitidamente mandamentos do Senhor aos quais, como cristãos devemos obedecer, no entanto, novamente digo, isso não é de maneira coercitiva. Primeiramente o Espírito Santo sempre nos convence do pecado, da justiça e do juízo, após isso, se eu sou filho de Deus eu vou obedecê-lo por amor e não por medo ou receio de ser castigado. Obedeço por que amo a Deus, e não porque a religião mandou!

O cristianismo é muito mais do que uma religião, é muito mais do que uma lista de “isso pode e aquilo não pode”. Se o cristianismo se resumisse a isso qualquer religião serviria!

Os credos e a historicidade da Igreja

Por Paulo Dib
 

Credo Niceno-Constantinopolitano


Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. 

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos. Deus de Deus, Luz da luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não feito, da mesma substância do Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas.

E, por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus: Se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.

Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, conforme as Escrituras;

E subiu aos céus, onde está assentado à direita de Deus Pai. Donde há de vir, em glória, para julgar os vivos e os mortos; e o Seu reino não terá fim.

Creio no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai (e do Filho); e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele falou pelos profetas.

Creio na Igreja Una, Santa, Católica* e Apostólica.

Confesso um só batismo para remissão dos pecados. Espero a ressurreição dos mortos; E a vida do mundo vindouro. Amém.
 

Qual é a importância do credo niceno-constantinopolitano? Ou melhor, qual é a importância de um credo?

Antes que alguém aí me ataque ou me acuse de “religioso”, ou pior, “às voltas com dogmas católicos romanos”, gostaria de explicitar três coisas.

A primeira delas é que não tenho diferenças pessoais com católicos romanos, e nem estou aqui para julgá-los. Tenho sim diferenças doutrinárias, mas essas como o nome sugere, ficam sempre no campo das ideias, e não são levadas de forma pessoal.

A segunda coisa que explicito é que não sou religioso no sentido pejorativo da palavra, procuro viver uma espiritualidade plena, integral, bíblica e cristocêntrica, interagindo com a criação e tendo um senso de propósito eterno em minha vida.

Por fim, deixo claro que Credo Cristão e dogmas católicos romanos são coisas totalmente distintas. Os credos, em especial o Credo Apostólico e o Credo Niceno-Constantinopolitano não são romanos como muitos pensam, e eu já abordei esta questão em postagem anterior.

Aliás, basta dar uma breve análise no teor do texto do Credo acima, que iremos notar algo que vai muito além de denominações. É algo que uniu ao longo dos séculos, e tem unido ainda hoje cristãos em todo o mundo.

É o que forma a Igreja, em toda a sua catolicidade, ou seja, universalidade entre todas as raças e nações da terra, entre todas as gerações de remidos ao longo dos séculos. É o chamado Corpo de Cristo.

Aliás, se há algo que todos os cristãos, sejam eles Católicos Romanos, Ortodoxos ou Protestantes devem concordar, são os termos do Credo em questão.

Isso é um resumo básico da fé Cristã. Nele afirmamos o monoteísmo, bem como a crença no Deus verdadeiro. Declaramos que cremos na criação executada por Deus.

Confessamos a divindade e o senhorio de Cristo, sendo um em substância com o Pai. Externamos a nossa fé em sua obra salvífica.

Demonstramos a pessoalidade do Espírito Santo e defendemos a unidade da Trindade.

Se alguém não concorda com estes termos, me desculpe, mas não é cristão de verdade! Não entendeu o Evangelho e, tampouco foi transformado por ele.

Eu não estou aqui defendendo o uso religioso e repetitivo dos credos, esperando alguma benção especial pelo simples sacramentalismo. De maneira nenhuma! Repetições vãs não agradam a Deus e muito menos produzem algo de produtivo em nossa espiritualidade (Mt 6.7). Entretanto, não podemos ser levianos em ignorar a história de nossa fé. Temos de conhecer os fundamentos daquilo que cremos e professamos.

Hoje em dia temos assistido uma negação e/ou completa ignorância da historicidade da igreja. Isso é extremamente prejudicial. Já diz o ditado: “Quem não conhece o seu passado é pobre em seu presente e sem perspectivas de futuro”.

Justamente por essa falta de conhecimento do passado da igreja, seus mártires e apologistas, essa falta de conhecimento dos credos e das doutrinas básicas e milenares do cristianismo é que vemos hoje igrejas sendo invadidas por conceitos mundanos, cristãos sinceros de coração sendo levados por qualquer vento de doutrina. Modernismos e Teologias Hedonistas aos montes em nossas igrejas. Mas isso é tema para uma próxima postagem.

Por enquanto, faça como eu, pesquise e aprenda com a história da fé cristã.


* Católica - A palavra "católica" significa "universal", significando a universalidade da Igreja de Cristo. Refere-se ao fato da Igreja como Corpo de Cristo não se limitar a um tempo, lugar, raça ou cultura

Teologia Moderna Hedonista

Por Paulo Dib

Há pouco tempo atrás escrevi um artigo intitulado “Teologia moderna é negação da Teologia histórica?”, e abordei brevemente a questão do ascetismo não bíblico e também do hedonismo.

Neste post quero aprofundar um pouco mais a questão do hedonismo em meio a igreja cristã, aliás da “teologia hedonista” que acabou se infiltrando em muitas igrejas ocidentais, especialmente as brasileiras.

Relembrando o significado de hedonismo temos a seguinte definição: do grego, edonê, doutrina que afirma ser o prazer o bem supremo da vida humana, restringindo o prazer ao prazer do indivíduo. É uma doutrina que defende que o prazer é o meio correto para atingir o objetivo supremo do homem, a saber, a felicidade; felicidade esta que tem como essência precisamente o prazer. A moral, para o hedonista, deve ser ordenada segundo o modelo que é dado pela busca do prazer, quer dizer, é considerado moral tudo aquilo que dê prazer e imoral tudo o que faça sofrer. Esta doutrina resulta da observação de que todos os seres buscam o prazer e tentam escapar ao sofrimento.

Prazer este buscado pelo hedonista que não deixa de ser egoísta, egocêntrico. Tudo gira em torno de si mesmo, o universo está ao redor de seu umbigo. Não importa o outro, importa apenas o “eu”. Para quê “amar ao próximo como a mim mesmo” se o “encherei vossos celeiros” me é muito mais interessante e vantajoso?

O hedonismo com todo o seu egoísmo leva, inevitavelmente ao individualismo, e isso dentro da igreja cristã acarreta um enorme problema, visto que a igreja existe justamente para ser uma COMUNIDADE, com vida comunitária, e não apenas um ajuntamento de pessoas buscando interesses particulares.

Infelizmente o que nós mais vemos nas grandes igrejas, principalmente aquelas com horas de programação na TV, é uma busca quase que exclusiva das bençãos de Deus. É um relacionamento que foca o “eu”, foca a barganha: “O que eu posso ganhar desse Deus? O que um relacionamento com esse Deus pode me proporcionar? Qual será o tamanho da cifra? Se eu servi-lo vou ficar muito rico e ter casa na praia?”

E, caro leitor, antes que você me questione seu eu não creio que Deus possa prosperar seus filhos, gostaria de salientar que creio sim.

Mas, de novo, eu prezo pelo equilíbrio, doutrinário e teológico. É claro que eu creio que Deus possa prosperar alguém. Ele pode fazê-lo e o faz. Mas não podemos limitar as obras e propósitos de Deus apenas a essa faceta. Isso seria muito pobre, muito pequeno diante da grandeza do Deus a quem me refiro e ainda por cima antibíblico.

Os propósitos eternos vão infinitamente além. Salvação e regeneração completa do homem, levá-lo ao seu lugar original, de onde nunca deveria ter saído, vida comunitária em amor, assistência ao pobre, à viúva e ao órfão vêm muito antes da prosperidade.

Você pode se perguntar, Adão tinha prosperidade no Éden? Sem dúvidas. E Deus ainda nos faz prosperar.

A questão é, que tipo de prosperidade é essa? Aliás, o que é prosperidade? Qual o seu significado?

De pronto eu posso afirmar que NÃO é o que a maioria das grandes igrejas brasileiras “pregam” na TV. Uma vida glamourosa, cheia de bens materiais, isenta de problemas, quase um conto de fadas. Se prosperidade fosse apenas isso nosso Deus seria muitíssimo limitado, ele seria no máximo um gênio da lâmpada mágica.

Criou-se a ideologia de que quanto mais bens uma pessoa acumula depois de “conhecer” a Cristo, mais ela é considerada espiritual, crente de verdade, íntima com Deus, verdadeiramente abençoada.

Pois bem, se acúmulo de bens e patrimônio fosse necessariamente sinônimo de aprovação divina, Bill Gates seria um dos homens mais íntimos com Deus. Se acúmulo de riquezas materiais fosse selo da aprovação divina, como explicar os inúmeros ricos infelizes que eu conheço?

Há algo de errado aí!

De outra maneira, o Filho teria encarnado como um Rei abastado. O que vemos foi totalmente o inverso. A humilhação de Jesus em sua encarnação foi tamanha que ele, sendo o criador do universo, nasceu pobre, em uma família pobre, morou em um lugar de certa forma desprezado pelas outras tribos de Israel (Jo 1.45), viveu como camponês e trabalhou em uma profissão braçal.

Dizer que Jesus veio a esse mundo simplesmente para nos fazer ricos materialmente é no mínimo leviano, para não dizer herético.

Prosperidade verdadeiramente Bíblica envolve: Comunhão profunda com Deus, uma paz interior que vai além dos seus problemas, paz esta que o mundo não possui e não compreende, ter suas necessidades supridas por um Deus generoso. A simples presença de Deus produz isso em nossas vidas. E ainda que passemos por algumas privações e provações momentâneas, isso não significa necessariamente que estamos em pecado, ou que Deus nos desaprovou ou que perdemos a prosperidade. A verdadeira riqueza de um homem é mensurada espiritualmente. Somente o dono de todo o universo pode contabilizar o tamanho do tesouro que acumulamos no reino dos céus, tesouro esse que Ele mesmo nos dá por galardão, graça e bondade.

Aliás, a maior riqueza que um homem pode ter é a salvação em Cristo! Isso não tem preço tangível humanamente!

Para se ter uma ideia da magnitude da riqueza que os remidos em Cristo gozam é o fato de termos sido feitos co-herdeiros juntamente com ele, em todas as coisas (Rm 8.17). Dá para imaginar? Tudo o que o Pai legou por herança nós temos acesso em Cristo Jesus.

Esse fato é tão impressionante que pensar em tesouros terrenos é de uma pequenez absurda. Somos herdeiros do Reino dos céus e nesse Reino, ouro, prata e pedras preciosas não têm lugar de proeminência, ficam simplesmente ofuscados pelo brilho da real riqueza. A maior riqueza do Reino é a própria presença do Rei.

A importância da Divindade do Cristo



Por Paulo Dib


Quando o homem caiu, afastando-se de Deus, assumiu uma dívida de reparação com Deus. Tal reparação só poderia ser realizada sofrendo eternamente a penalidade do pecado. Desta forma a expiação pessoal não poderia trazer salvação, reconciliação com Deus.


Deus, então, designou um substituto na pessoa de Jesus Cristo o qual expiou o pecado garantindo eterna redenção.

Isso é ponto pacífico entre a maioria dos que dizem professar a fé cristã. A maioria entende que houve uma queda e que o homem precisava de redenção. O que não é pacífico em alguns grupos ditos “cristãos” é a questão da divindade do Cristo. E a negativa da deidade de Jesus é algo que foge totalmente à ortodoxia cristã.

E fica a pergunta, será que é importante a divindade no Cristo? O cordeiro que tira o pecado do mundo precisava ser divino?

De antemão, já digo que é de vital importância! De outra maneira os homens teriam sido redimidos e salvos por um homem, ou por um anjo, ou por um semideus (ideia ariana) ou sabe-se lá pelo o que. A Palavra é clara em afirmar que a salvação procede de Deus e é executada por ele (Jn 2.9b / Sl 95.1 / Is 43.11 / Ap 19.1)

A dificuldade muitas vezes está na compreensão equivocada da encarnação de Jesus e de sua dupla natureza (humana e divina) após a encarnação.

Algumas pessoas simplesmente não compreendem que é de suma importância o Cristo possuir tanto uma natureza humana quanto uma natureza divina.

Humana porque a maldição causada pelo pecado estava sobre o homem (raça humana) e somente um homem poderia substituir o homem na necessidade de justiça divina.

Por outro lado não poderia ser um homem qualquer. Tinha que ser alguém perfeito isento de pecado.

Daí a necessidade da natureza divina. Somente uma natureza divina poderia ser 100% isenta de pecado e resisti-lo eficazmente. Tinha que ser alguém com o poder de entregar a própria vida e tomá-la de volta (Jo 10.17-18), e somente Deus tem poder sobre a vida e a morte!

É importante salientar que são duas NATUREZAS de Cristo e não duas PESSOAS. A segunda pessoa da Trindade, encarnou, ou seja, assumiu uma natureza humana. E quando digo assumiu uma natureza humana, quero explicitar que Jesus não abandonou a sua natureza divina para se tornar homem. Nem por um minuto! Pelo contrário, ele conservou plenamente a sua natureza divina e acrescentou ao seu ser a natureza humana, se tornando uma pessoa divino-humana.

A esse respeito L. Berkhof diz:

Há somente uma pessoa no Mediador, e essa pessoa é o imutável Filho de Deus. Na encarnação Ele não se mudou numa pessoa humana, nem adotou uma pessoa humana.

Simplesmente assumiu a natureza humana, que não se tornou uma personalidade independente, mas se tornou pessoal na pessoa do Filho de Deus. Sendo uma só pessoa divina, que possuía a natureza divina desde a eternidade, assumiu uma natureza humana e agora tem as duas naturezas. Depois de assumir uma natureza humana a pessoa do Mediador não é apenas Divina, mas Divino-humana; é agora o Deus-homem.

É um só individuo, mas possui todas as qualidades essenciais tanto da natureza humana como da divina. Ainda que possua uma só consciência, possui tanto a consciência divina como a humana, bem como a vontade humana e a divina.1

Você, caro leitor, deve estar se perguntando: Por quê há quem “implique” tanto com a divindade de Cristo?. Pois bem, são justamente os que não creem na Trindade que “implicam” e tentam deturpá-la. Por não crerem na trindade, eles precisam, necessariamente negar a divindade de Cristo, bem como a do Espírito Santo, para se “evitar” um triteísmo.

Os motivos apresentados para a negativa da Trindade são diversos e não são nada novos, pelo contrário, desde o princípio da patrística a Igreja já combatia tal heresia.

O que há de ficar claro é que Trindade não é sinônimo de Triteísmo, nunca foi! Não cremos em três deuses, ou em três seres que se uniram e formaram um Deus, ou qualquer outra coisa do gênero. Cremos em um ÚNICO DEUS subsistindo em TRÊS pessoas. UM em essência e TRÊS em pessoa.

A confusão reside justamente no termo pessoa. Com o passar do tempo pessoa acabou ganhando o significado de ser independente, principalmente depois do iluminismo. No entanto, o significado original é de personalidade (pessoalidade). E Deus é um ser absurdamente complexo, incompreensível em sua totalidade à mente humana. Nada mais natural do que ele ser composto por uma pessoalidade complexa, aliás três, em uma unidade relacional.

Quanto à única essência e trina pessoalidade da Divindade, Vincent Cheung diz:

Deus é um em essência e três em pessoa”. Além disso, embora cada uma das três pessoas componha de forma completa um único Deus, a doutrina não se torna um triteísmo desde que ainda haja um único Deus e não três.

A “essência” na formulação acima se refere aos atributos divinos ou a cada definição de Deus, tanto que todas as três pessoas de Deus preenchem completamente a definição de deidade. Mas isso não implica em um triteísmo porque cada definição de deidade inclui o atributo ontológico da Trindade, de modo que cada membro não é um Deus independente. O Pai, o Filho, e o Espírito são “pessoas” distintas porque representam três centros de consciência dentro da Divindade. Portanto, embora os três participem completamente da essência divina de modo a formarem um único Deus, esses três centros de consciência resultam em três pessoas dentro desse único ser Divino.” 2

A divindade é primordial para o Cristo! Note que, se Jesus não é Deus ele é mentiroso, uma vez que claramente nas Escrituras afirmou ser divino, em igualdade ao Pai (Jo 10.30 / Jo 8.56-58 / Jo 14.8-11/ Jo 5.18). Se Jesus mentiu, logo ele não pode ser o Cristo, tendo em vista que o Cristo deveria ser necessariamente isento de pecados, um cordeiro sem máculas (1Pe 1.18-19 / Jo 1.29 / 1Co 5.7).

Ou Jesus tinha plena consciência daquilo que dizia, daquilo que afirmava sobre si mesmo, ou ele não passava de um lunático com aspirações colossalmente megalomaníacas, e todos os cristãos ao longo da história creram e continuam crendo em uma falácia.

1. (L. Berkhof, Manual de Doutrina Cristã, Patrocínio: Ceibel, 1992, p.178)
2. (Vincent Cheung, Teologia Sistemática, págs. 125 a 128, grifo meu)

Ode ao Salvador

Por Paulo Dib
 
Magnífico Deus de explendor
Viu o homem sofrer
Em sua própria desgraça padecer
E se manifestou em amor


Padeceu por amor
Deixou a sua glória e encarnou
Com nossa dor se identificou
Nos concedendo seu eterno favor


O homem se mostrou impenitente
Meu pecado em teu peito abriu um corte
Meu pecado lhe trouxe morte
Foste até o fim obediente


A sepultura não pode detê-lo
A morte venceu
Uma nova vida me deu
Bastou em meu coração recebê-lo

Diferença entre homens e meninos

Por Paulo Dib


Eu poderia aqui enumerar muitas diferenças entre homens e meninos, algumas até bem óbvias, como por exemplo porte físico e barba na cara. Mas não é bem isso que eu quero abordar neste post.

Quero ir um pouco além. Um pouco mais profundo. Mais especificamente no caráter de um homem que o faz agir como tal. Quero chegar na essência da masculinidade.
A masculinidade não pode ser mensurada por coisas como tamanho físico, ou voz grave, ou pela capacidade de arrotar alto, cuspir longe e conquistar várias garotas. Isso definitivamente são coisas de menino. Quando eu era menino achava o máximo dar um arroto estrondoso, daqueles de “derrubar o quarteirão”. Agora isso não tem mais graça. Eu amadureci.

Não se pode tomar como exemplo de masculinidade o tipo “machão estúpido” a la personagens de Clint Eastwood. Aliás, para mim esse tipo personifica o covarde.

Nosso exemplo de masculinidade deve estar no perfeito, no homem perfeito. "Quem é este?" - você pode se perguntar.

Seu nome é Jesus! Em sua natureza humana ele é perfeito, durante o tempo em que viveu nesta terra não se achou falta alguma nele. Jesus não só era isento de faltas, como também era um homem com “H” maiúsculo, um homem responsável.

E a chave para a masculinidade é exatamente esta: Responsabilidade.

Jesus é o exemplo máximo de responsabilidade. Antes de iniciar seu ministério ele foi responsável por si mesmo, pois ele tinha um trabalho. Foi responsável por sua família, uma vez que era o primogênito daquele lar (isso aliado ao fato de teólogos suporem que José, seu pai, havia morrido, visto não possuirmos relatos sobre ele após a maioridade de Jesus).

Mais do que isso, Jesus tomou sobre si a responsabilidade por mim e por você ao pagar o preço de nossos pecados na cruz.

Ele não merecia aqueles cravos, muito menos morrer! Nós é que merecíamos pagar pelo o que cometemos. Nós é que merecíamos um destino tão cruel! Mas ele assumiu a nossa culpa. Ele assumiu a responsabilidade. O cerne do evangelho é esse.

É vital que compreendamos isso para que possamos entender de fato o que é masculinidade.

Homem de verdade não é aquele que bate mais forte e grita mais alto. O homem de verdade é másculo no sentido pleno da palavra, ou seja, é responsável.

Desde a queda de Adão os homens tiveram essa noção de responsabilidade afetada. 

Após ser indagado por Deus a respeito de seu pecado, qual é a primeira coisa que Adão faz? Assumir seus atos e proteger sua esposa? Pelo contrário, com o efeito da queda, ele não apenas tentou se esquivar de sua culpa, como fez pior, jogou a culpa em Eva - "A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi" (Gn 3.12). 

Jesus, na plenitude de sua masculinidade, como cabeça da Nova Aliança, assumiu total responsabilidade por nossos pecados e nos salvou. De igual maneira nós homens, como cabeça da aliança do casamento, temos que assumir nosso papel, assumir nossas responsabilidades.

Nossa primeira responsabilidade deve ser com nós mesmos. Trabalhando, sendo honestos, honrando compromissos, fazendo coisas necessárias mesmo que não nos sejam agradáveis.

Um cara que não consegue levantar cedo para trabalhar, que não se mantém em um emprego, que não paga suas contas, que não consegue ser respeitoso com uma mulher ou é viciado em pornografia, não tem capacidade sequer para ter um animal de estimação, quanto mais esposa e filhos.

Não estou exagerando. Se ele não é responsável por si próprio, como pode almejar ser responsável por mais alguém??

O casamento foi concebido por Deus para ser tomado por homens e não por meninos.

Outro detalhe, o casamento não transforma meninos em homens. Alguns meninos pensam erroneamente: “se eu me casar me tornarei um homem”. Mas não é assim que funciona. Repito, o casamento é um compromisso que só deve ser assumido por homens de verdade. Meninos que se casam não se tornam homens, eles simplesmente destroem a vida da mulher e dos filhos.

O homem de verdade compreende o real significado de um casamento, ele compreende o peso da responsabilidade de se tomar uma mulher e ser com ela uma só carne. Para quem não se lembra o homem tem a “simples incumbência” de amar sua esposa da mesma maneira que Cristo ama a Igreja (Ef 5.25).

É dever do homem amar sua esposa e dar sua vida por ela. É seu dever sustentá-la, protegê-la, guardá-la, consolá-la, prover segurança física e emocional. Por isso casamento não foi feito para meninos. 


Aqueles que almejam se casar devem analisar as reais motivações de fazer isso, se é por amor ou se é para tentar se tornar homem. Vou além, digo que mesmo homens que são responsáveis por si mesmos devem pensar bem antes de tirar uma moça do conforto e proteção do lar de seus pais. Ponderar não apenas se ele já é um homem másculo (responsável), mas se ele está realmente preparado para carregar o seu fardo, o de sua esposa e de seus filhos.

Teologia moderna é negação da Teologia Histórica?

Por Paulo Dib


Temos visto um crescimento na igreja como um todo, mas de maneira particular na igreja brasileira, de uma negação das obras teológicas clássicas (históricas), em detrimento da chamada "Teologia Moderna".

A igreja nacional acaba por ignorar, senão negar, obras importantíssimas dos Pais da Igreja, por considerá-las “Romanas”.

De igual maneira cria-se a tendência de ignorar ou negar as obras dos teólogos pré reforma, bem como as obras produzidas pelos reformadores (Lutero, Calvino, Teodoro de Beza, Zwínglio, etc.), depois destes os teólogos mais contemporâneos (como John Wesley, por exemplo).

Tudo por puro preconceito. As obras da patrística são julgadas antes mesmo de serem lidas. Os credos e concílios da Igreja no período áureo dos pais da igreja (Séculos II a V) são taxados de “romanizados”, sendo que nessa época a igreja nem era tão romana quanto se pensa.

"Paulo, onde você quer chegar?". Pois bem caro leitor, o ponto em que eu quero chegar é que não podemos simplesmente ignorar séculos de produção teológica, séculos de boa tradição.

“Pronto! Agora o Paulo bateu a cabeça” - você deve estar pensando - “agora ele está defendendo a tradição católica romana medieval”.

Calma! Não se desespere a sua alma. Não bati a cabeça e também não estou defendendo o catolicismo romano medieval.

O ponto em que eu quero chegar é que os chamados Pais da Igreja, em especial os dos séculos II a V, foram homens guiados pelo Espírito Santo para a defesa da fé cristã. Se hoje podemos repousar sobre confissões de fé sólidas e confiar em doutrinas realmente bíblicas, deveríamos em alguma instância agradecer a esses homens.

Se hoje você crê na Doutrina da Trindade, agradeça a Deus pela vida destes homens que fielmente lutaram para que heresias não adentrassem o seio do cristianismo. Heresias como modalismo, adocionismo e arianismo, que simplesmente negavam a divindade de Cristo e comprometiam não só a Trindade como comprometiam o monoteísmo.

Tertuliano de Cartago
Se você compreende a doutrina do pecado original e entende que toda a humanidade está destituída da glória de Deus e que o único remédio para isso é obra redentora de Cristo, lembre-se desses homens que lutaram contra heresias que diziam que intrinsecamente todo homem possuía algum grau de bondade e poderia fazer algo para merecer a salvação. 1

Se hoje você crê na plena divindade de Jesus Cristo e em sua obra redentora única e suficiente, pesquise sobre o Concílio de Nicéia e veja o que é dito lá (Pesquise, não vou te dar de mão beijada). Já ouviu falar do Credo Apostólico? Está lá, na patrística.

Você não precisa repetir tudo aquilo todo santo dia, 30 vezes por dia de maneira religiosa, mas medite naquelas palavras. Veja se aqueles ensinamentos lhe são familiares.

Qual a implicação prática de tudo isso?

A implicação é que esse preconceito tem suas raízes no pietismo alemão que muito influenciou a igreja brasileira. Pietismo em seu conceito original significa abster-se do mundo buscando santificação e temor.

É claro que reverência, temor e santificação são coisas boas na vida cristã, mas quando parte de algum tipo de fanatismo é gerado o pietismo exagerado. Pietismo exacerbado é irmão do legalismo e do ascetismo não bíblico.

Por ascetismo não bíblico temos o ato ou ensino que faz com que os crentes se abstenham de coisas que a Bíblia não diz nada a respeito. São as famosas “santarrisses”, onde tudo é impuro, todo e qualquer prazer é mal visto, até mesmo os prazeres bíblicos.

O ascetismo não bíblico leva invariavelmente ao legalismo, uma lista infindável de coisas que se podem ou não fazer, sem, no entanto, possuir fundamentos bíblicos. O ascetismo não bíblico simplesmente traz proibições, visto ser muito mais fácil proibir algumas coisas do que ter uma vida de real santidade. É mais fácil eu jogar pelas regras impostas pela religião do que ouvir a voz do Espírito Santo.

A questão é que quem é realmente salvo e convertido possui o Espírito Santo dentro de si, e ele nos conduz a toda verdade. Ninguém melhor do que Ele para nos dizer o que devemos ou não fazer.

Outro malefício do pietismo exacerbado é o anti-intelectualismo. Cria-se uma aversão ao estudo teológico aprofundado. O que o pregador falou é lei, e pronto. A revelação é o que vale. As pessoas não se dão ao trabalho de fazer uma análise crítica da pregação apresentada, tão pouco elas pesquisam na Bíblia se aquele ensinamento é correto ou não. Aliás, quantos se dão ao trabalho de ler a Bíblia?
A própria Palavra nos instrui nos precavermos de falsos profetas e a julgarmos os espíritos (1 Jo 4.1).

Não quero aqui fazer apologia à desconfiança em pastores. Muito pelo contrário, agradeça a Deus por seu pastor e ore por sua vida. Eu, em particular, sou muito grato a Deus pela vida do Bispo César, homem de jejuns e orações, mas também homem de estudo e Palavra.

O meu alerta é: preste atenção naquilo que estão te ensinando! Estude a Bíblia, peça revelação ao Espirito Santo, estude teologia, analise a tradição, conheça a história da igreja. Não julgue apenas os teólogos do passado, mas aprenda com seus acertos e erros!

É inadmissível ouvirmos em pleno século XXI frases do tipo “estudar para quê, se Jesus está voltando?”. Graças a Deus que esse tipo de pensamento tem diminuído, porém ainda é real.

Devemos buscar uma posição de equilíbrio doutrinário. Equilíbrio entre a fé e o tangível, entre o místico e o racional. Nosso esforço tem de ser em evitar extremos.

Evitar o Pietismo exacerbado, assim como evitar o hedonismo (doutrina que afirma ser o prazer o bem supremo da vida humana, restringindo o prazer ao prazer do indivíduo).

Também não concordo com pensamentos do tipo “agora estamos na graça, posso fazer de tudo, Jesus me perdoa mesmo!”.

Alto lá cara-pálida, oba-oba e libertinagem não são bíblicos não! Podemos sim fazer todas as coisas, mas será que todas elas nos são convenientes? (1 Co 6.12). Sem esquecer, é claro, da obrigação como cristãos de manifestarmos bom testemunho.

Vida de compromisso é essencial. Se eu fui realmente impactado pelo evangelho e pelo amor de Cristo os frutos têm de ser aparentes. Se eu compreendi a mensagem do evangelho com certeza isso gerou em mim um compromisso com Jesus. Um compromisso de amor, não de obrigação. Ele me amou primeiro, por isso hoje eu o amo, e é justamente por amá-lo que eu quero fazer aquilo que lhe agrada, e não por que a religião diz o que eu devo ou não fazer. Agora, se isso não é realidade em minha vida talvez eu não tenha compreendido corretamente o evangelho. Então, é hora de rever conceitos. Pare e pense!


Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo... Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne”. (Cl 2. 16, 17, 20-23).


1. Não ignoro o fato de que a doutrina romana acabou por introduzir obras e méritos pessoais em seu conceito soteriológico. No entanto isso se deu séculos mais tarde, e não no período aqui abordado.

Impessoalidade das relações pessoais

Por Paulo Dib

Impessoalidade das relações pessoais. O título lhe parece contraditório, caro leitor? Algo que deveria ser pessoal, mas que é impessoal?

Pois é justamente sobre esse aparente paradoxo, que eu gostaria de lhe convidar a refletir juntamente comigo.

Você com toda certeza já notou como os relacionamentos estão cada vez mais frios e superficiais, independentemente do tipo de relacionamento. Seja um coleguismo, seja uma amizade ou até mesmo um relacionamento familiar. Tudo parece estar frio e cinzento.

Egoísmo, auto suficiência, idolatria do “eu” é o que encontramos.

O homem há muito deixou de ser Teocêntrico e passou a ser antropocêntrico, isso remonta desde os tempos de Gênesis. Não demorou muito e o antropocentrismo se transformou em egocentrismo. 
Todas as atenções voltadas para o “eu”. O que importa é o “eu”. O que “eu” quero. Do jeito que “eu” quero. Na hora em que “eu” quiser. Do jeito que “me” dá prazer. E só.

O outro? O outro que se dane! Não estou preocupado com o outro, o outro não “é eu”.*

Hoje em dia poucas coisas parecem realmente comover o coração da maioria das pessoas, mas, mesmo assim, não passa de comoção, não passa de alguns momentos.

O descaso é tanto e a banalização do sofrimento alheio chegou a tal ponto que as pessoas recebem a notícia do falecimento de alguém conhecido com indiferença, quando não desprezo. 
    - “Fulano de tal, o irmão de Ciclano, morreu.
    - "Nossa! Que coisa não?" - é uma das respostas mais comuns.
Quando há muito interesse o assunto prossegue.
    - “Morreu de quê?
    - "Foi atropelado por uma manada de rinocerontes."
    - "Coitado. Meus pêsames".

E fica por aí.

Você acha que estou exagerando? Bem confesso que a manada de rinocerontes foi um pouco de exagero, talvez uma hipérbole bem exagerada, mas o restante da história infelizmente não. É nitidamente o cumprimento das palavras de Jesus, “o amor de muitos esfriará” (Mt 24.12)

Pior ainda, nós vemos o egocentrismo e o egoísmo dentro do relacionamento que foi criado para ser indissolúvel, o mais íntimo de todos, o casamento. Tão íntimo que Deus mesmo diz que após a união conjugal os dois se tornam uma só carne.

Mas será que têm sido realmente assim os casamentos modernos? Pelas estatísticas dos divórcios eu posso assegurar que não!

Por quê temos tantos casamentos desfeitos atualmente? A resposta é fácil, porque a humanidade simplesmente perdeu o sentido essencial do casamento.

Hoje, aqueles que se casam, o fazem simplesmente para ser felizes. O egocentrismo só faz preocupar com o “eu” e não com o cônjuge.

“Paulo, quer dizer então que eu não tenho o direito de ser feliz em meu casamento?”, você deve estar se perguntando.

Em primeiro lugar eu não disse isso! Você tem todo o direito de ser feliz. O que eu quero enfatizar é que atualmente temos uma inversão de valores muito séria.
A ordem correta dos fatores não é “me caso para ser feliz” e sim, “me caso para fazer o outro feliz”. Isso mesmo, nosso foco tem de estar na felicidade do cônjuge. É uma expressão de amor, e amor verdadeiro é sacrificial.

É justamente aí que está a grande “sacada” que a humanidade perdeu. Se o marido, por exemplo, tem como objetivo a felicidade de sua esposa e não a felicidade própria, com toda certeza ele não somente fará sua esposa feliz, como vai gerar nela uma reciprocidade de objetivos, onde o objetivo da esposa passará a ser fazer o marido feliz. É uma troca onde ambos ganham.

O número de divórcios só cresce porque cada vez menos encontramos pessoas dispostas a dar. Pessoas prontas a receber, isso encontramos aos montes. Viu como a aritmética é simples?

Analisemos a centralidade do evangelho, Cristo e seu amor sacrificial. Ele se deu, se preocupou com o outro. Ele não precisava fazer o que fez! Ele não precisava do homem, assim como não precisa dele hoje, devido à sua transcendência. Jesus, enquanto Deus é soberano e totalmente independentemente de sua criação. Não há nada que a criação possa lhe acrescentar. 

No entanto, a Palavra nos diz que ele se esvaziou de si mesmo e foi achado como servo. Mesmo sendo transcendente ele quis ser imanente. E manifestou isso habitando entre nós, de maneira tão esplêndida que dividiu a história ao meio, antes e depois de Cristo. Na sua imanência demonstrou o seu amor, se identificou com nossa condição humana, sem, contudo, usurpar sua natureza divina.

Jesus não se preocupou com a dor, com o sofrimento e com a humilhação que haveria de passar. Em seus olhos só havia a humanidade que ele tanto amou. Ele se preocupou com o outro.

Infelizmente, mesmo dentro de lares cristãos a centralidade do evangelho e a manifestação do Grande Mandamento parece estar esquecida. O “amar ao próximo como a ti mesmo” parece apenas uma frase bonita, e só. Pais que não gastam tempo com seus filhos. Filhos distantes de seus pais, trancados em um mundinho próprio. Cônjuges que não se amam de fato, apenas convivem.

A família, núcleo central de qualquer sociedade, tem se tornado fria. São estranhos habitando a mesma casa. Um até conhece o outro, mas superficialmente, desconhece e tão pouco se importa com as dores e sofrimentos de seus familiares, apenas dividem o teto.

Como cristãos não podemos aceitar e compactuar com isto. Reflitamos e façamos a diferença! O evangelho que professamos tem que fazer diferença. Se não fizer, temos apenas uma religião, um apanhado de normas de conduta, apenas isso. Pense!



* erro gramatical proposital

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Cristão Protestante Reformado, membro da 1.ª IPI - Limeira-SP. Graduado em Tecnologia em Processamento de Dados pela FATEC (Unesp). Hoje trabalho como consultor em negócios imobiliários. Pós-graduado em Especialização em Estudos Teológicos, pela Mackenzie (CPAJ). Falo Inglês muito bem e espanhol porcamente. Sou muito bem casado e tenho dois filhos maravilhosos.

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