Teologia Moderna Hedonista

Por Paulo Dib

Há pouco tempo atrás escrevi um artigo intitulado “Teologia moderna é negação da Teologia histórica?”, e abordei brevemente a questão do ascetismo não bíblico e também do hedonismo.

Neste post quero aprofundar um pouco mais a questão do hedonismo em meio a igreja cristã, aliás da “teologia hedonista” que acabou se infiltrando em muitas igrejas ocidentais, especialmente as brasileiras.

Relembrando o significado de hedonismo temos a seguinte definição: do grego, edonê, doutrina que afirma ser o prazer o bem supremo da vida humana, restringindo o prazer ao prazer do indivíduo. É uma doutrina que defende que o prazer é o meio correto para atingir o objetivo supremo do homem, a saber, a felicidade; felicidade esta que tem como essência precisamente o prazer. A moral, para o hedonista, deve ser ordenada segundo o modelo que é dado pela busca do prazer, quer dizer, é considerado moral tudo aquilo que dê prazer e imoral tudo o que faça sofrer. Esta doutrina resulta da observação de que todos os seres buscam o prazer e tentam escapar ao sofrimento.

Prazer este buscado pelo hedonista que não deixa de ser egoísta, egocêntrico. Tudo gira em torno de si mesmo, o universo está ao redor de seu umbigo. Não importa o outro, importa apenas o “eu”. Para quê “amar ao próximo como a mim mesmo” se o “encherei vossos celeiros” me é muito mais interessante e vantajoso?

O hedonismo com todo o seu egoísmo leva, inevitavelmente ao individualismo, e isso dentro da igreja cristã acarreta um enorme problema, visto que a igreja existe justamente para ser uma COMUNIDADE, com vida comunitária, e não apenas um ajuntamento de pessoas buscando interesses particulares.

Infelizmente o que nós mais vemos nas grandes igrejas, principalmente aquelas com horas de programação na TV, é uma busca quase que exclusiva das bençãos de Deus. É um relacionamento que foca o “eu”, foca a barganha: “O que eu posso ganhar desse Deus? O que um relacionamento com esse Deus pode me proporcionar? Qual será o tamanho da cifra? Se eu servi-lo vou ficar muito rico e ter casa na praia?”

E, caro leitor, antes que você me questione seu eu não creio que Deus possa prosperar seus filhos, gostaria de salientar que creio sim.

Mas, de novo, eu prezo pelo equilíbrio, doutrinário e teológico. É claro que eu creio que Deus possa prosperar alguém. Ele pode fazê-lo e o faz. Mas não podemos limitar as obras e propósitos de Deus apenas a essa faceta. Isso seria muito pobre, muito pequeno diante da grandeza do Deus a quem me refiro e ainda por cima antibíblico.

Os propósitos eternos vão infinitamente além. Salvação e regeneração completa do homem, levá-lo ao seu lugar original, de onde nunca deveria ter saído, vida comunitária em amor, assistência ao pobre, à viúva e ao órfão vêm muito antes da prosperidade.

Você pode se perguntar, Adão tinha prosperidade no Éden? Sem dúvidas. E Deus ainda nos faz prosperar.

A questão é, que tipo de prosperidade é essa? Aliás, o que é prosperidade? Qual o seu significado?

De pronto eu posso afirmar que NÃO é o que a maioria das grandes igrejas brasileiras “pregam” na TV. Uma vida glamourosa, cheia de bens materiais, isenta de problemas, quase um conto de fadas. Se prosperidade fosse apenas isso nosso Deus seria muitíssimo limitado, ele seria no máximo um gênio da lâmpada mágica.

Criou-se a ideologia de que quanto mais bens uma pessoa acumula depois de “conhecer” a Cristo, mais ela é considerada espiritual, crente de verdade, íntima com Deus, verdadeiramente abençoada.

Pois bem, se acúmulo de bens e patrimônio fosse necessariamente sinônimo de aprovação divina, Bill Gates seria um dos homens mais íntimos com Deus. Se acúmulo de riquezas materiais fosse selo da aprovação divina, como explicar os inúmeros ricos infelizes que eu conheço?

Há algo de errado aí!

De outra maneira, o Filho teria encarnado como um Rei abastado. O que vemos foi totalmente o inverso. A humilhação de Jesus em sua encarnação foi tamanha que ele, sendo o criador do universo, nasceu pobre, em uma família pobre, morou em um lugar de certa forma desprezado pelas outras tribos de Israel (Jo 1.45), viveu como camponês e trabalhou em uma profissão braçal.

Dizer que Jesus veio a esse mundo simplesmente para nos fazer ricos materialmente é no mínimo leviano, para não dizer herético.

Prosperidade verdadeiramente Bíblica envolve: Comunhão profunda com Deus, uma paz interior que vai além dos seus problemas, paz esta que o mundo não possui e não compreende, ter suas necessidades supridas por um Deus generoso. A simples presença de Deus produz isso em nossas vidas. E ainda que passemos por algumas privações e provações momentâneas, isso não significa necessariamente que estamos em pecado, ou que Deus nos desaprovou ou que perdemos a prosperidade. A verdadeira riqueza de um homem é mensurada espiritualmente. Somente o dono de todo o universo pode contabilizar o tamanho do tesouro que acumulamos no reino dos céus, tesouro esse que Ele mesmo nos dá por galardão, graça e bondade.

Aliás, a maior riqueza que um homem pode ter é a salvação em Cristo! Isso não tem preço tangível humanamente!

Para se ter uma ideia da magnitude da riqueza que os remidos em Cristo gozam é o fato de termos sido feitos co-herdeiros juntamente com ele, em todas as coisas (Rm 8.17). Dá para imaginar? Tudo o que o Pai legou por herança nós temos acesso em Cristo Jesus.

Esse fato é tão impressionante que pensar em tesouros terrenos é de uma pequenez absurda. Somos herdeiros do Reino dos céus e nesse Reino, ouro, prata e pedras preciosas não têm lugar de proeminência, ficam simplesmente ofuscados pelo brilho da real riqueza. A maior riqueza do Reino é a própria presença do Rei.

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Cristão Protestante Reformado, membro da 1.ª IPI - Limeira-SP. Graduado em Tecnologia em Processamento de Dados pela FATEC (Unesp). Hoje trabalho como consultor em negócios imobiliários. Pós-graduado em Especialização em Estudos Teológicos, pela Mackenzie (CPAJ). Falo Inglês muito bem e espanhol porcamente. Sou muito bem casado e tenho dois filhos maravilhosos.

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